A exportação de trigo argentino encontra seu momento e anima o mercado local, que se mantém estável frente ao vai-e-vem externo.

Contando atualmente com os preços de trigo mais competitivos a nível nacional, a vontade de tornar o trigo argentino mais atrativo nessa briga derivou em um forte impulso da atividade exportadora, que busca assegurar a provisão da mercadoria, por mais que ainda se espere uma melhora nas ofertas de compra.

No último mês, a zona fluvial argentina Up-River se encontrou abaixo de outras origens alternativas de trigo, como os Estados Unidos (Golfo do México), França (Rouen) e a região do Mar Negro (Rostov). As qualidades do cereal nesses países não são equivalentes à argentina, mas provam o impulso que o setor está recebendo.

Com uma capacidade de receber cerca de US$158/tonelada, segundo as estimativas da Bolsa de Comércio de Rosário (BCR), a exportação melhorou as ofertas de compra para as entregas do cereal entre janeiro e fevereiro, chegando a um bom volume negociado. Se calcula que, na semana, a Argentina tenha colocado mais de 20 mil toneladas de trigo no mercado.

As entregas em novembro nos terminais norte e sul de Rosário já somam 320.000 toneladas, 50% a mais que todo o volume entregue no mês de outubro. Para o próximo mês, o volume total deverá ser de 1,10 milhões de toneladas. Em janeiro, 500.000 toneladas.

De olho na nova safra que está sendo colhida, as Declarações de Venda ao Exterior argentinas para o novo ano comercial já acumulam 896.000 toneladas. As compras totais de trigo 2016/17 somam 2,9 milhões de toneladas, valor que representa 21% de toda a produção estimada.

“Para que efetivamente consigamos colocar um grande volume do cereal no exterior, sermos competitivos em preço e qualidade será fundamental para recuperar o terreno perdido nas compras por parte do Brasil, nosso principal importador. Uma possibilidade, em questões de frete, seria ganhar o lugar dos Estados Unidos, um grande desafio para a Argentina”, diz a BCR.

No entanto, a maior incógnita da zona núcleo é o conteúdo proteico da nova safra. A primavera mais fresca provocou um enchimento adequado de grãos, mas as plantas devem somar mais quilos por hectare ao invés de porcentagem de proteína em grão.

De qualquer modo, no norte e no sul da Argentina, as boas perspectivas se mantêm, com destaque para a zona de Santiago del Estero e para o norte de Santa Fe, com rendimentos acima de 33 sacas por hectare, enquanto na zona núcleo os rendimentos esperados podem chegar facilmente a 66 sacas por hectare.

 

Fonte: Notícias Agrícolas