A semeadura “morro acima, morro abaixo” tem sido uma das principais causas da formação de enxurrada, da ocorrência de erosão e da redução da fertilidade dos solos manejados sob plantio direto. Resgatar a semeadura em contorno é um dos trabalhos desenvolvidos pela Embrapa Trigo.

No Brasil, estima-se que a erosão tem gerado perdas anuais de 500 milhões de toneladas de solo e de 8 milhões de toneladas de adubo aplicado nas lavouras, causando prejuízos ao ambiente (assoreamento e contaminação de rios, córregos, lagos), à agricultura (limitação do potencial produtivo e maior risco de perdas por estiagens) e ao consumidor (maior preço dos alimentos).

A semeadura em contorno consiste em realizar a semeadura transversalmente ao declive do terreno. As linhas de semeadura e as fileiras de plantas assim posicionadas criam barreiras ao livre escoamento da enxurrada, podendo aumentar em mais de cinco vezes a infiltração de água no solo. Comparada à semeadura “morro acima, morro abaixo” a semeadura em contorno pode reduzir em mais de 50% as perdas de água e de solo por erosão. “Associado ao sistema plantio direto, a semeadura em contorno pode reduzir os efeitos da enxurrada e controlar a erosão”, afirma o pesquisador José Eloir Denardin.

Nos últimos tempos, a semeadura em contorno perdeu espaço em razão do aumento do tamanho das semeadoras e inclusive da troca das semeadoras hidráulicas pelas semeadoras de arrasto, principalmente em pequenos estabelecimentos rurais: “Semeadoras de grande porte apresentam dificuldades de manobra no final das linhas de semeadura onde a maior dimensão da lavoura se estende ao longo do declive”, explica o pesquisador Antônio Faganello. Segundo ele, a facilidade na semeadura seguindo o maior comprimento da lavoura, independente do declive, torna a operação mais rápida, porém nem sempre a mais eficiente: “Alguns modelos de semeadoras perdem até 45% de precisão na dosagem de adubo quando são operadas morro acima, morro abaixo. Ao subir, a dose de adubo aumenta em 15% e ao descer a dose cai em 30%”, alerta Faganello.

“Quanto maior o comprimento do declive, a declividade do terreno e a irregularidade topográfica da paisagem, maior é a necessidade da semeadura em contorno”, conclui o pesquisador.

Outra prática que pode estar associada à semeadura em contorno são os terraços. Atualmente, a tecnologia para dimensionar terraços permite espaçamentos quatro vezes maiores do que antigamente. De acordo com o pesquisador José Eloir Denardin, a água retida nos terraços infiltra no solo, irriga a lavoura e demora de três a cinco meses para chegar aos rios. A água que não infiltra no solo é água perdida que em poucas horas já estará nos rios e somente voltará à lavoura na próxima chuva. “O correto manejo do escoamento superficial da água pode gerar economia de 40% ao ano com fertilizantes, evitando a perda de nutrientes e garantindo a disponibilidade de água para as plantas nos momentos mais críticos”, conclui Denardin.

 

Fonte: Mais Soja 

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