A  maioria dos solos brasileiros são naturalmente ácidos. Para amenizar os efeitos deletérios da acidez, como o alumínio (Al3+) tóxico, e aumentar a disponibilidade dos nutrientes no solo, precisamos aumentar o seu pH para uma faixa de 5,5 a 6,5, dependendo da cultura e do sistema de manejo do solo. O principal produto corretivo da acidez do solo utilizado na agricultura brasileira é o calcário, devido à sua melhor relação custo/benefício.

Apesar disso, nos últimos anos, houve uma crescente comercialização e utilização do gesso agrícola no Brasil. O gesso é um subproduto da indústria de produção de fertilizantes fosfatados obtido na fabricação do ácido fosfórico que é utilizado para produção de superfosfato triplo (SFT), MAP e DAP. Para cada tonelada de P2O5 na forma de ácido fosfórico é produzido de 4 a 5 toneladas de gesso agrícola. Possui fórmula química CaSO4.2H2O, contendo cerca de 16–20% de cálcio (Ca) e 13–16% de enxofre (S) em sua composição. É, portanto, uma importante fonte de Ca e S, mas o seu produto de solubilidade no solo (Ca2+ e SO42–) não altera o pH. Por isso, o gesso agrícola não é um corretivo da acidez do solo como o calcário.

O gesso agrícola é, portanto, um condicionador do solo. Devido à sua alta solubilidade, a aplicação de gesso agrícola aumenta rapidamente as concentrações de Ca2+ e SO42– no solo em profundidade. O aumento das concentrações desses elementos diminui a atividade do Al3+ no solo e, consequentemente, a toxidez de Al para as plantas. Isso possibilita um maior crescimento radicular em profundidade, aumentando a capacidade de resistir a estiagens e aumentando a absorção de nutrientes em camadas de solo até então inexploradas. Apesar disso, esse efeito é temporário, justamente devido à alta solubilidade do gesso agrícola. Resultados de pesquisa indicam que o efeito da aplicação de gesso agrícola com aplicação de até 1 tonelada por hectare é de apenas 1 ano. Após esse período, o Ca2+ e SO42– são lixiviados do sistema, diferentemente do que acontece com o Al3+ que permanece no solo causando problemas de toxidez.

Portanto, o gesso agrícola pode ser uma alternativa interessante para minimizar temporariamente a toxidez do Al3+ em profundidade, garantindo um bom desenvolvimento radicular, especialmente em culturas perenes onde a aplicação de calcário com incorporação torna-se inviável. Mas é importante lembrar que o gesso agrícola não altera o pH do solo e, por isso, não diminuiu o teor de Al3+ (tóxico). A forma mais efetiva de diminuir os problemas deletérios da acidez do solo continua sendo a aplicação de calcário baseada numa análise de solo confiável, de acordo com a cultura e o sistema de manejo do solo.

 

Fonte: Mais Soja