A fusão da Bayer, empresa alemã de químicos, com a Monsanto, gigante da biotecnologia, foi concretizada na quarta-feira, dia 14/09, por US$ 66 bilhões. Desde o começo da negociação, em maio, entidades do agronegócio tentam vislumbrar os impactos da transação no campo.

Rui Prado, presidente do Sistema Famato, pensa que essa negociação poderia ser prejudicial para os produtores. “Com certeza não é ideal que haja concentração nas empresas fornecedoras dos produtores rurais. Olhamos com certo receio essa concentração de duas gigantes como Bayer e Monsanto. Isso vai na linha do monopólio”, disse. Para o executivo, o principal impacto deve ser no bolso do agricultor. “Imagino que coisas desse tipo vão aumentar o preço dos insumos que o produtor vai comprar. Isso não tenho dúvida alguma. A história e o mercado nos mostram isso”.

Já Marcos da Rosa, presidente da Aprosoja Brasil, acredita que ainda é muito cedo para avaliar os impactos. “Todos os procedimentos legais levam tempo até realmente fundir. As empresas vão continuar com a diretoria, então até o negocio até consolidar, não dá apra avaliar os impactos. Ainda não se sabe a estratégia da Bayer. Quando ela tiver uma a empresa deve vir conversar conosco”, diz.  Sobre os preços, ele reconhece que a fusão deixa a concorrência global menor, mas que é preciso “ver as estratégias da Bayer” antes de fazer alguma análise.

O presidente da Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem), José Américo Pierre Rodrigues, acredita que a união das duas empresas deve fortalecer o produtor rural, assim como outras negociações de grande porte. “Nesse caso especifico são duas empresas líderes: a Monsanto em sementes e transgênicos, e a Bayer em proteção pra cultivo. Elas vão ganhar escala ainda maior, e também agregar conhecimento dos dois lados, tem uma sinergia grande. Estou com uma expectativa otimista”, diz.

 

Fonte: Revista Globo Rural