A Companhia Nacional de Abastecimento – Conab acaba de divulgar o Terceiro Levantamento da Safra de Café de 2016, que é realizado todos os anos, no mês de agosto, e tornado público em setembro. O Levantamento demonstra que a produção brasileira de café arábica e conilon deverá ser de 49,64 milhões de sacas de 60kg, com produtividade média de 25,46 sacas por hectare, numa área de produção de 1,95 milhão de hectares. No panorama mundial da cafeicultura, a Organização Internacional do Café – OIC também divulgou o Relatório sobre o mercado de Café agosto 2016 que demonstra que no ano de 2015 a produção mundial foi de 143,306 milhões e a do Brasil (Brazilian Naturals) de 42,289 milhões de sacasOs dados da OIC de 2016 ainda não foram divulgados.

Terceiro Levantamento da Safra de Café 2016 traz inclusive o ranking dos estados brasileiros produtores de café, apontando as principais áreas produtivas desses estados e quais fatores influenciaram a produção. O Quarto Levantamento será elaborado e divulgado no mês de dezembro e será o último da safra deste ano. Ele ocorre após a finalização da colheita, quando serão ajustados e consolidados os dados coletados no campo.

Minas Gerais, conforme o Terceiro Levantamento, continua despontando em primeiro lugar na produção brasileira anual de café com 28,9 milhões de sacas. As duas principais regiões produtoras do estado são o Sul de Minas (Sul e Centro-Oeste) e Cerrado Mineiro (Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste), que tiveram aumento de área e produtividade, além de regularidade climática, fatores que proporcionaram produção superior à safra anterior em 42% e 63,2%, respectivamente.

As outras duas áreas produtoras de café que merecem destaque no Estado, de acordo com o Levantamento da Conab, são a Zona da Mata e o Norte de Minas. A Zona da Mata (Zona da Mata, Rio Doce e Central) teve bienalidade negativa e chuvas escassas durante a fase de granação, o que resultou numa produção 8% menor que a safra 2015. E o Norte de Minas (Norte, Jequitinhonha e Mucuri) teve redução de área e produtividade devido a fatores climáticos adversos que resultaram numa produção inferior à safra anterior em 7,5%.

Espírito Santo, em segundo no ranking, produzirá 9,1 milhões de sacas neste ano, o que representará uma queda de 14,5% na produção em relação a 2015. Conforme a Conab, as lavouras de conilon foram as mais afetadas por questões climáticas, tais como seca, altas temperaturas, má-distribuição de chuva e insolação, o que implicará redução de 30,7% em relação à safra passada. No entanto, as lavouras de arábica tiveram crescimento de 28,2% devido à adequada florada e, assim, se recuperam da baixa produção nos últimos dois anos.

São Paulo figura em terceiro lugar na produção nacional com 5,9 milhões de sacas de café arábica. Essa performance se deve principalmente às condições climáticas favoráveis no Estado, pois as chuvas que ocorreram a partir de setembro de 2015 prolongaram-se satisfatoriamente até março de 2016 e proporcionaram uma excelente florada. Com isso, São Paulo teve área, produtividade e produção superior à safra passada, além da entrada de pés novos em produção, melhoria nos tratos culturais e retorno vigoroso das plantas manejadas na safra passada.

Bahia, quarto estado produtor, colherá 2,1 milhões de sacas, número semelhante à safra anterior. As altas temperaturas verificadas em novembro de 2015 provocaram abortamento de flores, escaldadura das folhas e má formação dos grãos. Contudo, na região do Planalto baiano, houve ligeira recuperação da produtividade, e, na região do Atlântico, a forte estiagem e ataques de pragas durante o ciclo da lavoura provocaram queda de 30,2% na produção, se comparado com a safra passada.

Rondônia, em quinto lugar, com 1,6 milhão de sacas de café conilon, teve redução de 5,6% da produção em relação ao ano passado, em função da falta de chuvas na época da florada, o que prejudicou o pegamento dos frutos. Além disso, em áreas irrigadas houve incidência forte de insolação que provocou calor e altas temperaturas durante os meses de outubro e novembro, fato que prejudicou a formação e promoveu a queda dos chumbinhos (frutos em formação).

Paraná produzirá neste 1,1 milhão de sacas de café arábica, o que o coloca em sexto lugar no ranking interno da produção. De acordo com os dados da Conab, as geadas ocorridas no Estado em 2013 provocaram inversão da bienalidade na produção do café, a qual ficou negativa para este ano. Por esse motivo o Paraná produzirá apenas de 1,1 milhão de sacas, volume inferior à safra de 2015.

O Terceiro Levantamento da Safra de Café de 2016, da Conab, está disponível no Observatório do Café (Safra, Estoques e Valor Bruto da Produção). Acesse o documento e confira na íntegra dados, informações e análises sobre todos os Estados produtores de café no Brasil, com estimativa de área cultivada, produção e produtividade, crédito rural, análises de mercado, receita bruta do setor, cotação do café beneficiado, exportação e importação, calendário de colheita, entre vários outros.

 

Fonte: AgroLink