O mofo-branco é uma das piores ameaças à agricultura brasileira, especialmente para lavouras de grãos. Sozinho, pode ser responsável por até 30% de perda da produção em um campo agrícola. A doença foi identificada pela primeira vez no Brasil na década de 1970, no Estado do Paraná, em plantas de feijão. Ao longo dessas mais de quatro décadas, além de se espalhar por quase todos os estados, com destaque para Bahia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, ampliou também o seu espectro de destruição e passou a contaminar outras culturas agrícolas, especialmente soja e algodão.

Na verdade, mais de 400 espécies de plantas pertencentes a cerca de 200 gêneros botânicos podem ser hospedeiras do fungo causador dessa doença, o Sclerotinia sclerotiorum. Por isso, não é exagero dizer que o mofo-branco é hoje uma das piores doenças enfrentadas pelos produtores rurais. Segundo dados do Departamento de Fitopatologia da Universidade de Brasília (UnB), a estimativa é de que 6 milhões de hectares no País, de um total de 70 milhões de áreas cultivadas, apresentem a doença, o que significa que aproximadamente 9% das áreas estejam contaminadas.

O controle desse fungo é extremamente difícil. Mesmo com mais de 19 fungicidas de sete princípios ativos diferentes, autorizados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para o controle do mofo-branco, a doença continua avançando de forma alarmante. Se o fungo encontra as condições ambientais favoráveis para se proliferar, é quase impossível deter seus danos às plantações.

Diante da ineficiência do controle do Sclerotinia sclerotiorum com fungicidas, sem falar no impacto que esses produtos causam ao meio ambiente, os cientistas têm buscado soluções alternativas e mais sustentáveis para o controle desse fungo. Uma das alternativas possíveis é o desenvolvimento de plantas resistentes aos seus ataques. Mas como fazer isso? O silenciamento gênico tem se mostrado uma ferramenta promissora à disposição da ciência nesse sentido. Sua compreensão é quase literal, ou seja, os cientistas “silenciam” os efeitos dos genes, impedindo que se expressem nas células.

Os resultados promissores obtidos neste experimento com a metodologia HIGS animaram a equipe da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia que pretende, agora, continuar os estudos com outros genes do Sclerotinia sclerotiorum e de outros fungos prejudiciais às lavouras nacionais.

“Os fungos estão entre os maiores causadores de perdas na agricultura brasileira. Os danos causados por esses patógenos impactam fortemente os custos de produção e, por consequência, os custos dos alimentos para os consumidores, reduzem a qualidade das plantas e prejudicam as exportações”, ressalta Aragão. Mais: o uso excessivo de fungicidas e outros defensivos prejudica o meio ambiente e outorga ao Brasil o triste predicado de ser o número um do mundo no que se refere à utilização de agrotóxicos.

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