Dentro de 10 anos a produção brasileira de grãos vai dobrar em relação ao que é alcançado hoje. Em 2026, vamos chegar aos 400 milhões de toneladas de grãos”, afirmou, logo no início de sua palestra, José Luiz Tejon, doutor em Ciência da Educação pela Universadad de La Empresa, no Uruguai, mestre em arte e cultura pela Universidade Mackenzie e coordenador do Núcleo de Agronegócio da Escola Superior de Propaganda e Marketing – ESPM/SP.

Tejon falou sobre os desafios do agronegócio na tarde de quarta-feira (20), no Centro de Exposições Albano Franco, em Campo Grande, durante o Circuito Pecuário, evento promovido pelo Sistema Famasul (Federação de Agricultura e Pecuária de MS).

Agricultura pujante

“Esse aumento na produção de grãos no país acontecerá graças ao desenvolvimento da pecuária. O plantio de grãos acontecerá em áreas antes de pecuária que, por sua vez, serão utilizadas pela pecuária com mais produtividade, com mais consciência e com muito mais gestão”, analisou.

Com frases fortes e análises consistentes sobre o agronegócio no país e no mundo, Tejon prendeu a atenção do público durante 1h20, mostrando a importância do investimento, não só em tecnologia, mas em conhecimento.

“Muitos produtores rurais não irão para o futuro simplesmente porque não acompanharão o desenvolvimento do conhecimento. É uma decisão de acompanhar ou não o conhecimento que está aí, disponível”, diz. Para ele, o produtor rural do futuro é o gestor de dados e decisões, aquele que tem a capacidade de aprender. Esse é o elemento chave para que o empresário do campo cresça e chegue ao futuro.

Trabalho e conhecimento

Para vencer esse desafio, é preciso, segundo ele, compreender a cadeia produtiva e inovar, duas forças que precisam ainda de um terceiro elemento para serem potencializadas. “É preciso saber trabalhar em time, em equipe, para que todos se beneficiem. Ninguém supera as batalhas sozinho”, detalha.

Ao final da palestra, Tejon citou o exemplo de Fernando Penteado Cardoso, engenheiro agrônomo formado pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP) na turma de 1936. Aos 101 anos de idade, Penteado disse a Tejon em entrevista que o produtor do futuro precisa ter confiança no setor, apostar nele. E, por fim, nunca se afastar do conhecimento, da tecnologia e da ciência.

Ao longo da vida, Tejon levou a sério esses conceitos, antes mesmo de ouvir o conselho de Penteado. Aos quatro anos de idade, Tejon sofreu um acidente doméstico que queimou toda sua face e o deixou com marcas profundas. Da história de superação, nasceu o autor e coautor de 32 livros, professor, consultor e palestrante versátil. Em sua palestra na última quarta-feira, chamou a atenção do público mencionando a importância de manter os olhos fixos no trabalho, na determinação do que se espera alcançar, sem dar muita importância aos burburinhos e críticas à volta.

Fonte: Aprosoja/MS