O céu azul e com poucas nuvens dá o aviso. Presente nas duas últimas safras, o El Niño e sua chuva farta, começa neste mês a se despedir, abrindo espaço para a chegada do La Niña, fenômeno climático reverso, que costuma ser marcado pela escassez de precipitação no sul do Brasil. Com o custo das lavouras cada vez mais elevado, a mudança do clima acende o sinal de alerta nos produtores: qualquer hectare perdido pesa no bolso.

Os primeiros efeitos devem aparecer no segundo semestre deste ano, antes do início do plantio do próximo ciclo, mas meteorologistas ainda não conseguem afirmar com precisão a intensidade do fenômeno. É uma resposta-chave para definir se a preocupação dos sojicultores é exagerada ou não.

Com 5,5 mil hectares de terra entre Joia e Tupanciretã, no noroeste do Estado, a família Ceolin planeja a futura safra prevendo um cenário adverso. Depois das perdas em função de pouca chuva –, a produtividade média foi de 35 sacas por hectare, enquanto em outras regiões chega a 60 sacas por hectare –, a meta é minimizar o prejuízo.

– A ideia é fazer uma lavoura barata, investindo apenas o necessário para que, se chover, as plantam consigam se desenvolver bem, mas, se houver seca, não perderemos tanto – afirma Rogério Ceolin, 41 anos.

Coordenado pelo engenheiro agrônomo Ronaldo Matzenauer, doutor em agrometeorologia, estudo desenvolvido pela Fepagro entre 1974 e 2012 demonstra que o rendimento médio das lavouras gaúchas de soja e milho são muito próximos quando comparadas às médias dos eventos El Niño e La Niña. Nem o El Niño é tão benéfico para as culturas, como La Niña não é tão catastrófico.

Mais do que isso. Em anos considerados neutros, sem a presença de nenhum dos fenômenos, a safra pode até ser mais tímida.

O recorde de produtividade de soja na série histórica, ocorreu no ano agrícola 2010/11, com 2.845 quilo por hectare, quando ocorreu um evento La Niña moderado.

A explicação, sugere o pesquisador, pode estar na localização das regiões produtoras no Estado. No período de floração e enchimento do grão, fevereiro e março, época mais crítica no cultivo da soja, o efeito dos dois fenômenos não é tão intenso por aqui.

– Não significa que não possamos ter superprodução em ano de El Niño e quebra em ano de La Niña. O que apontamos é que isso nem sempre ocorre. Em geral, as médias de produção são parecidas – explica Matzenauer, que desde 1978 estuda o tema.

A crença no efeito devastador do La Niña, especula Matzenauer, pode vir de décadas atrás, quando quebras de safra coincidiram com anos de efeito climático.

Fonte: Zero Hora Notícias

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