A produção agrícola se transforma em renda e emprego para os municípios do Rio Grande do Sul que dependem da safra de soja. Um deles é Tupanciretã, na Região Noroeste, o maior produtor do estado. Quase 60% da arrecadação da Prefeitura de Tupanciretã vem diretamente do grão. Mesmo em tempos de crise financeira, a cidade deve ter um aumento na arrecadação puxado pelo produto. “Nós aqui em Tupanciretã recebemos um incremento em termos de previsão orçamentária girando em torno de R$ 4 milhões, só de um ano para o outro, de 2015 para 2016. Então aí a gente comprova a importância da soja”, afirma o prefeito Carlos Augusto Brum de Souza.

A cidade tem pouco mais de 22 mil habitantes, conforme o último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2010. A produção da soja emprega pessoas que trabalham nas propriedades rurais. As tarefas vão da colheita até o transporte do produto.

As últimas safras estão garantindo não somente soja, mas também emprego e renda. “Dá uma segurança de dizer que pelos próximos anos, com certeza, vai ter uma manutenção desta mão de obra que hoje está trabalhando diretamente na produção de soja e outros cereais que se produz no campo”, afirma o engenheiro agrônomo Márcio Augusti, que trabalha há 10 anos no ramo.

Há 37 anos, a soja garante o emprego de Dirceu de David. E mesmo na contramão da queda nas vendas de veículos, ele conseguiu trocar de carro. “A sobra a gente sempre vai guardando e dá para fazer investimento”, explica ele.

Uma propriedade de Tupanciretã emprega 55 funcionários. O dono, Ilton Balzan, tem quase 8 mil hectares de soja, uma prova de que lá o trabalho no campo supera o da indústria.

“Muitas pessoas falavam que agricultor não dá nada para a cidade, mas em nossas cidades do interior aqui, que não têm indústrias, 80% vivem em razão da agricultura”, comenta Ilton Balzan.

Safra boa reflete em outros ganhos
Quando a safra é boa, todo mundo sai ganhando. A soja gera um lucro que o agricultor vai gastar no comércio direto, comprando o que precisa para continuar no negócio, como máquinas agrícolas e fertilizantes.

Sempre que pode, o produtor investe em tecnologias e maquinários. Isso tudo movimenta o negócio local. A última compra dele, uma colheitadeira, ajudou a pagar as despesas familiares de Adriano, Claudemir, Amélia, Nathalia e Rafael, que trabalham na loja.

“Dependemos de todos os investimentos que eles fazem, tanto como maquinários, peças, serviços. Para nós também sobreviver”, diz o coordenador de peças da loja, Rafael Ávila .

Por causa dessa dependência da agricultura, tem até um comércio diferenciado: o agricultor compra e só paga quando depois da colheita. “Na verdade o dinheiro é a soja, né? Ele compra aqui e paga com soja na colheita”, comenta o gerente da loja, Daniel Teixeira.

Fonte: G1 RS.