É sabido que o momento atual é de cautela para a economia no Brasil, principalmente para o setor agropecuário, mas um olhar um pouco mais para o futuro também aponta desafios. O produtor rural vai ter de adotar profundas mudanças na gestão de seus negócios para o país se manter e continuar crescendo no setor.

A adoção do sistema iLPF e a inovação de gestão foram alguns dos assuntos discutidos em encontro do setor de agronegócio promovido pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), o 14º Congresso Brasileiro do Agronegócio, iniciado nesta segunda-feira (3), no auditório do WTC Sheraton São Paulo Hotel. Os temas do evento giram em torno da integração, de alimentos e logística.

 

Sistema iLPF

Em 2015, o setor agropecuário passa por incertezas de preços das commodities, alta de juros e elevação da taxa de câmbio. Para os próximos anos, o produtor terá que repensar o sistema de produção e adotar a integração lavoura-pecuária-floresta (iLPF), além de outras atividades, como a piscicultura. Essa multiplicidade de cultura minimiza os riscos, além de permitir uma movimentação contínua do caixa, com mais entradas de dinheiro.

Alexandre Mendonça de Barros, da MB Agro, cita por exemplo que a carne bovina, em uma linha de tempo de 150 anos, foi o único produto a subir de preços. Neste momento, as proteínas são um dos setores que menos perdem preços, devido à forte demanda externa e interna. Já o setor de grãos vive a ressaca da recuperação da produção e dos estoques. A integração dessas diversas culturas pode trazer nova estabilidade econômica e sustentabilidade para o setor.

Paulo Herrmann, da John Deere, diz que esse novo sistema “trará uma complexidade para a agropecuária”. Uma das saídas é utilizar a extensão rural para levar os conhecimentos desse novo sistema para a prática nas fazendas. O problema é que a extensão rural pública não funciona, o que vai exigir uma participação do setor privado nessas operações.

 

Gestão

A alta da taxa de juros nos EUA, ainda não decidida, vai apimentar mais a volatilidade do câmbio, diz Alexandre Enrico Figliolino, do Itaú BBA. “O produtor precisa olhar a gestão com carinho.” As discussões, no encontro, apontaram também para os estoques. A Ásia, aproveitando a baixa de preços das commodities, eleva as compras e aumenta os estoques.

A compra do produto brasileiro pelos importadores é facilitada também pelas características da comercialização no país. Ingo Plöger (IP Desenvolvimento Empresarial e Institucional) e Luiz Carlos Carvalho (Abag) comentam que a solução para o médio produtor será fazer estoques para evitar quedas nos preços. Um aumento da estocagem na propriedade permitiria o produtor fazer mais hedge e evitar o período de logística com preço alto.

 

Fonte: Folha de São Paulo

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