Vender para o mercado internacional sempre foi uma realidade distante das pequenas empresas. Mais ainda do agricultor familiar. Porém, o Plano Nacional de Exportações (PNE) 2015-2018, lançado em junho pelo Governo Federal, vai ajudar os brasileiros, entre eles os agricultores familiares, a superarem as dificuldades que impedem o acesso ao mercado externo. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, enquanto o Brasil possui a sétima maior economia do mundo, ocupa apenas a 25ª posição no ranking de países exportadores.

O plano prevê negociação de novos acordos comerciais, aprimoramento da promoção comercial, facilitação de comércio, financiamento e garantias às exportações e aperfeiçoamento de mecanismos e regimes tributários de apoio às exportações. Segundo o analista de comércio exterior, Luís Henrique Oliveira, “o Ministério de Desenvolvimento Agrário estimula a participação da agricultura familiar em feiras internacionais, para capacitar, gerar e expandir o interesse no mercado externo”. Os agricultores familiares também poderão se beneficiar da redução das exigências burocráticas que atrasam ou até impedem o acesso ao mercado externo:

– Entre outras medidas, o plano visa o aumento da base exportadora em todas as regiões do país, englobando também a agricultura familiar – explica Oliveira.

Os interessados em levar seus produtos a novos mercados poderão contar também com uma ferramenta importante para destravar os processos de exportação. É o Portal Único de Comércio Exterior que irá reunir em um só ambiente todos os procedimentos burocráticos para facilitar as ações do produtor. “Ele não é um pacote fechado. O Plano prevê consultas permanentes entre os ministérios e setores produtivos nacionais para fazer os ajustes necessários”, afirma Oliveira.

 

Exemplo de organização na agricultura familiar

No município de Garibaldi (RS), o casal Jorge Luís Mariani e Salete Arruda se prepara para colocar o suco de uva orgânico, produzido por 50 famílias, nas prateleiras internacionais em 2016. O produto é o carro-chefe da Cooperativa de Produtores Ecologistas de Garibaldi (Coopeg) e já desperta o interesse de 11 países, dentre eles Rússia, China, Espanha, Inglaterra e Coreia do Norte.

Foto: Coopeg/Divulgação

Como parte da preparação, os cooperados fazem curso de inglês por meio do Pronatec e participam de outros programas de qualificação oferecidos pelo Governo Federal, porque não querem, como eles mesmos dizem, “ficar na mão de terceiros”.

Salete afirma que o local de beneficiamento da matéria-prima é “pequenininho, limpo e organizado”, mas que os turistas não se cansam de elogiar os produtos. “Os turistas ficam felizes quando veem como tudo é feito”, diz Salete. Só no ano passado, foram vendidos mais de 100 mil litros de suco e 150 mil caixas de hortifrutigranjeiro, também produzido na Coopeg.

 

Fonte: Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA)