A chuva acima da média nas lavouras gaúchas marcou o mês de julho. Foram registradas chuvas em 15 dos últimos 25 dias. A alta umidade vem provocando prejuízos para a cultura do trigo e os agricultores já começam a calcular as perdas na lavoura. Com o tempo nublado, a lavoura não seca, e o solo fica completamente úmido e com muito barro. A água fica acumulada em alguns pontos da lavoura, o que prejudica o desenvolvimento do trigo, a principal cultura de inverno no estado.

O excesso de umidade faz com que o produtor Evaldo Quanini, de Cruz Alta, não consiga entrar com o maquinário para a aplicação de adubos e defensivos. “A última vez que entrei na lavoura faz 22 dias. A planta já passou do tamanho ideal para aplicação de nitrogênio e já teria que estar fazendo alguma coisa de fungicida”, explica.

O agricultor esperava colher 60 sacas por hectare nos 130 hectares de trigo que plantou. Mas, diante da situação atual, Quanini refaz os cálculos. “Hoje eu acredito que dá para se falar em 10 a 15% de perda”, avalia.

Para a agrônoma da Emater, Larissa Reis, o trigo deveria apresentar outras condições se não fosse o excesso de umidade. “A planta teve um menor crescimento em relação àquilo que poderia ter e uma menor quantidade de perfilho também. Então, esta falta que o nitrogênio está fazendo neste momento também pode acarretar perda de produtividade no final da cultura”, diz Larissa.

Os produtores também estão enfrentando o problema da erosão. Mesmo com o plantio direto na palha, a água acaba levando parte do solo. As equipes da Emater do Rio Grande do Sul começaram a percorrer as lavouras na última quinta-feira (23) para levantar a situação do trigo em todo o estado.

 

Fonte: G1