O crédito oficial disponível para a agricultura empresarial na safra 2015/2016 será de R$ 187,7 bilhões. O valor, 20% superior ao da safra atual (R$ 156,1 bilhões), foi anunciado nesta terça-feira pela ministra da Agricultura, Kátia Abreu, e pela presidente Dilma Rousseff, em cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília (DF), na presença de ministros, parlamentares e representantes do setor.

A iniciativa federal abre crédito para agricultores de todo o país investirem na produção de alimentos e insumos. O dinheiro pode ser usado, por exemplo, para a compra de equipamentos agrícolas e para o melhoramento da infraestrutura nas propriedades rurais.

Esses recursos são disponibilizados pelo governo para auxiliar no custeio, investimento e comercialização do setor agropecuário. De acordo com o Ministério da Agricultura, desses R$ 187,7 bilhões, R$ 149,5 bilhões serão destinados ao custeio e comercialização e R$ 38,2 bilhões a investimentos.

De acordo com o Ministério da Agricultura, as taxas de juros para os médios produtores ficarão em 7,75% ao ano (para custeio) e 7,5% ao ano (para investimento). Segundo a pasta, no caso dos empréstimos de custeio para agricultura empresarial, a taxa definida do Plano Agrícola ficou em 8,75% ao ano, enquanto os demais programas de investimento terão taxas de 7% a 8,75% ao ano.

Em seu discurso, a presidente Dilma citou os valores anunciados pela ministra Kátia Abreu e afirmou que os recursos farão com que a produção no Brasil cresça e forneça alimentos com qualidade e preço adequado aos mercados interno e externo. Na avaliação dela, as taxas de juros anunciadas não comprometerão a capacidade de pagamento dos produtores.

Após o desgaste político sofrido pelo governo para conseguir aprovar as medidas de ajuste fiscal no Congresso Nacional, o Palácio do Planalto considera o lançamento do Plano Agrícola a primeira medida da chamada “agenda positiva” que a presidente pretende apresentar neste mês.

Além do crédito bilionário aos produtores rurais, o governo deve lançar neste mês o Plano Nacional de Exportações, o Plano de Concessões em Infraestrutura e Logística e a terceira etapa do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida.

Produção agrícola

“O Plano Safra mostra que ajuste não se dá só com cortes, mas com investimentos”, disse a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, destacando que sem o crédito oficial, a próxima safra poderia estar “seriamente comprometida”.

No seu pronunciamento, a ministra avaliou que o setor agropecuário é um bom exemplo de interação entre o estado e o setor privado, ressaltando que “toda a política pública tem um custo para a sociedade”. Destacou ainda que a política de crédito rural é uma das mais duradouras em execução no país.

Outra ação duradoura é o desenvolvimento da agricultura tropical, em que mencionou a importância do trabalho da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

– Sem o aumento grande de produtividade, a produção de hoje demandaria área de 150 milhões de hectares. Poupamos 100 milhões de hectares com tecnologia. Poderemos aumentar em 50 milhões de toneladas à nossa produção e em 8 milhões de toneladas de carnes nos próximos 10 anos sem qualquer pressão sobre terra e água – disse.

Cenário político-econômico

Após o lançamento do plano no Palácio do Planalto, Kátia Abreu concedeu entrevista a jornalistas e, ao comentar o atual cenário político-econômico do país, em meio às medidas de ajuste fiscal, disse que o governo fez uma “surpresa agradável” ao aumentar em 20% os recursos do plano.

– Hoje, alguns opositores torciam para que o crédito pudesse ser diminuído, mas demos uma surpresa agradável ao Brasil. O plano em si não é só para os produtores rurais, é para todo o país. Com ele (plano), produziremos alimento de qualidade e com preços justos para a população. Tivemos hoje um aumento de 20% nos recursos e isso é que é importante – afirmou.

Durante a entrevista, Kátia Abreu relatou “lutas”, juntamente com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, nas decisões relativas às taxas de juros previstas do Plano Agrícola.

Fonte: Globo Rural