Combinando com o que já era previsto, a economia brasileira demonstra que sentiu o golpe e apresenta sinais de grande fraqueza. Historicamente, o setor que sempre arcou com a responsabilidade de servir de “fiel da balança” e sustentar de maneira positiva a balança comercial foi o Agronegócio. Apesar disso, muitos ainda questionam o tamanho da crise, seu período de duração e os abalos que ela pode causar no setor agrícola nacional.

Que viveremos períodos de cuidado redobrado é fato, mas também nos dias de hoje, cuidado e precaução são a base sólida do crescimento institucional, seja qual for o segmento ao qual estivermos ligados. Particularmente, na comercialização de bens e serviços relacionada ao agronegócio muito se pode falar, inventar teorias e métodos, desenvolver sistemas multifuncionais, reduzir investimentos, mas efetivamente o que pode fazer com que uma empresa se destaque no mercado, seja tempo de crise ou não, são as pessoas que nela atuam, suas percepções de responsabilidade e criatividade e suas interações com os clientes e como equipe.

Temos identificado diferentes empresas que ao longo de sucessivas crises, não só mantém seus ganhos, mas ainda aumentam seu share dentro dos mercados que atuam. A resposta para essa, e também outras perguntas relacionadas ao crescimento de empresas é somente uma: essas empresas entendem que são feitas por pessoas e dependem das ações destas para sobreviver e, quanto melhor for a ação desta pessoa, melhor será o resultado desta empresa!

O que deve ser feito constantemente são as análises do mercado, percebendo o posicionamento da empresa frente a esse mercado e em relação ao seu portfólio – seja de produtos ou serviços, as análises financeiras cabíveis para gerenciamento, identificando quais os indicadores que servem de suporte aos gestores para tomada de decisão e, logicamente, uma adequação do quadro de funcionários, desenvolvendo e capacitando de forma constante estas pessoas para terem a maior eficiência possível nas suas respectivas funções.

Pode parecer incrível, mas com frequência me deparo com gestores que questionam essa capacitação constante e dizem que todo investimento é posto fora se for dada capacitação para o funcionário e ele acabar indo embora. Neste caso, cabe a pergunta: qual o custo que pode gerar se não for capacitado esse funcionário e ele acabar ficando na empresa? E ainda, quando questionados qual seria o maior gargalo de crescimento, respondem de maneira quase inânime que são as pessoas. Vale lembrar que uma empresa cresce ou quebra, não por um sistema ou por um produto ruim, ela perde mercado e sucumbe às crises por gestão incompetente, por decisões equivocadas, por desqualificação nos cargos de decisão, por desmotivação das equipes e por diversos outros fatores, absolutamente todos relacionados às pessoas.

Portanto, ou se valoriza e desenvolve àqueles que fazem a empresa acontecer e aproveitam-se as oportunidades que as crises oferecem, ou se aceita a mediocridade de ficar à mercê das movimentações dos mercados e permanece com o discurso ensaiado e gasto de colocar a culpa neste mesmo mercado.