Após mais uma supersafra brasileira na cultura da soja, a pergunta que nos surge é: como fazer para manter estes índices? Ou superá-los? A resposta, invariavelmente, passará por tecnologia, investimento e conhecimento aplicado, garantindo um crescimento vertical da produção, ou seja, maior produtividade. Entretanto, em algumas regiões, ainda é possível o aumento da produção pela expansão horizontal, e aí chamamos de novas fronteiras agrícolas.

A abertura de novas áreas para cultivo de grãos no Brasil sempre foi feita de forma desordenada e descontrolada, sem nenhuma regulamentação ou preocupação quanto a possíveis danos ambientais e sociais, e nem quanto à real aptidão das mesmas. Apesar de terem sido fundamentais para a economia nacional – e inclusive para manutenção de nossas fronteiras, com desenvolvimento territorial e social (vide Mato Grosso e Mato Grosso do Sul) –, essas práticas não são mais aceitas atualmente, e apenas áreas com grande potencial agrícola e baixo passivo ambiental podem ser consideradas fronteiras agrícolas utilizáveis. Dentro destas condições, denominamos fronteira agrícola, portanto, somente a região do MATOPIBA (que compreende os Estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) – ainda que não em sua totalidade -, pois exige cuidado e cautela dos investidores na aquisição de novas áreas, tornando-se imprescindível o assessoramento por profissionais qualificados e responsáveis do ramo imobiliário, com conhecimento das limitações ecológicas da área.

Tais dificuldades e limitações, que por vezes atraem produtores arrojados, tendem a afugentar os mais conservadores, fazendo com que busquem alternativas mais cômodas e seguras. Este movimento vem gerando um novo fenômeno, comparável ao surgimento de uma nova fronteira agrícola – ainda que infinitamente menor em extensão de terra, muito superior em aptidão agrícola e com baixíssimo passivo ambiental: a expansão da metade sul do Rio Grande do Sul.

Este território, há poucos anos considerado inadequado para o cultivo da soja, hoje apresenta médias de produtividade comparáveis às maiores regiões produtoras do país. Além disso, possui infraestrutura de beneficiamento e armazenagem, e boas condições logísticas e escoamento, dada sua proximidade ao porto de Rio Grande. Outra vantagem é a possibilidade de rotação com a cultura do arroz irrigado ou integração com a pecuária, eliminando a necessidade de desmatamento.

Nos últimos cinco anos, a área de cultivo da metade sul do Rio Grande do Sul avançou mais de um milhão de hectares, aumentando cinco vezes sua extensão. E existe ainda a possibilidade de um acréscimo de mais um milhão de hectares, metade disso apenas em áreas já cultivadas ou degradadas.

Estas características têm atraído cada vez mais produtores para a região, fazendo disparar o preço da terra – que mesmo assim resiste por até uma terça parte do valor das áreas no planalto, mostrando-se um investimento de alta rentabilidade, valorização e retorno garantido. São fazendas nas regiões de Cachoeira do Sul, Dom Pedrito, Bagé, São Gabriel e Pelotas, com estrutura completa, sedes confortáveis, bom acesso e próximas ao porto de Rio Grande, com o valor do hectare oscilando entre R$ 7.000,00 e R$ 20.000,00. Junte-se a isso a ausência de passivo ambiental e a aptidão agrícola da região e temos uma situação única, sendo extremamente atrativa ao investidor do agronegócio estadual e nacional.