Após ficar praticamente estagnada em 2014, a economia do Brasil encolheu no primeiro trimestre deste ano. No período entre janeiro e março, o Produto Interno Bruto (PIB) – soma do valor final de todos os bens e serviços produzidos no País – caiu 0,2% na comparação com o quarto trimestre de 2014. Os dados foram divulgados no dia 29 de maio pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado veio melhor do que a mediana das projeções dos analistas, que era de queda de 0,5%. As estimativas de 56 instituições consultadas pelo AE Projeções iam de uma retração de 0,10% até uma queda de 1,60%. Isso não aconteceu, principalmente, graças aos setores da agropecuária e das exportações. Esses dois segmentos foram os únicos avaliados que cresceram na comparação com os três últimos meses de 2014, com altas de 4,7% e de 5,7%, respectivamente. O consumo do governo também contribuiu para que o resultado do PIB não fosse pior. Apesar do recuo de 1,3% desse indicador na comparação com o trimestre anterior, em relação ao mesmo período de 2014, a queda, de 1,5%, acabou sendo menor do que a de 1,6% na atividade econômica.

Além disso, a análise da despesa feita pelo IBGE, mostra que o consumo do governo cresceu 0,4% no acumulado em 12 meses, refletindo a continuidade do aumento dos gastos públicos, mesmo com queda na receita e, em um momento, de tentativa de recuperação do equilíbrio fiscal. “Era esperado um ajuste que não foi feito integralmente no começo do ano. Com isso, o consumo do governo teve uma retração menos acentuada no primeiro trimestre”, destacou o economista-chefe da INVX Global Partners, Eduardo Velho.

Mesmo tendo contribuído positivamente para o PIB do trimestre, o setor agrícola não registra a mesma pujança de anos anteriores, quando crescia dois dígitos, no auge dos preços das commodities. Na avaliação da economista Alessandra Ribeiro, da Tendências Consultoria, o desempenho da agropecuária em 2015 deverá ficar abaixo da alta de 4% registrada na comparação do primeiro trimestre deste ano com o de 2014. “Esse ritmo não deve ser mantido nos próximos trimestres. Para o ano, estimamos um avanço de apenas 2% (para esse setor)”, avisou.

A balança comercial brasileira continua cada vez mais dependente das commodities e o aumento da produção de soja poderá ajudar na continuidade do crescimento das exportações nacionais. A forte queda dos preços desses produtos, no entanto, deve reduzir o ritmo de crescimento do PIB do setor agrícola. De acordo com dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, o setor tem sido fundamental para a diminuição do déficit da balança comercial brasileira em 2015. O setor apresentou saldo positivo de US$ 14,6 bilhões no trimestre.

Fonte: Correio Braziliense