Em dez anos, o Brasil terá reconhecimento internacional por parte da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) como área livre da aftosa, sem vacinação, disse a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Kátia Abreu, nesta terça-feira, durante o Seminário Perspectivas para o Agribusiness 2015 e 2016, realizado pela BM&FBovespa, em São Paulo.

Para que isso se concretize, no entanto, o país precisará fazer algumas lições de casa.

– Em 2015 seremos considerados totalmente livres, com vacinação, depois, em 2016, seremos conhecidos mundialmente como livre da aftosa, com vacinação. Estamos no processo de inclusão de Amapá, Amazonas e Roraima, que são os únicos três Estados que ainda não estão nessa condição – admitiu Kátia Abreu.

A ministra também se disse engajada em contribuir para que a América do Sul seja reconhecida com o mesmo nível sanitário, mas, para isso, disse que “é preciso enfrentar a Venezuela”.

– Vamos entrar na Venezuela com a permissão do seu governo para ajudá-los a montar um sistema de defesa agropecuária. Isso diminui o risco da doença para o Brasil – explicou.

Kátia ressaltou mais uma vez que os esforços sanitários são possíveis porque o orçamento de defesa agropecuária não foi cortado no ajuste fiscal promovido pelo governo federal.

Prelisting

A expectativa é que o reconhecimento internacional ajude o país a conquistar novos clientes para a carne. A principal estratégia brasileira está na elaboração do que o governo chama de prelisting, que é a divulgação de empresas adequadas ao fornecimento do produto para determinados mercados.  Segundo a ministra, o Brasil está vivendo “o melhor dos mundos para as carnes”. A referência se deve a eminência de abertura de mercados como Estados Unidos, Japão e Rússia. “Já enviamos para a Rússia as empresas de lácteos e já estamos exportando sem nenhuma visita deles aqui”, destacou. As vendas de carnes processadas e não processadas para os Estados Unidos devem ser efetivadas nos próximos meses, projetou Kátia.

– Já recebemos a missão americana e já fizemos a nossa para lá. Os técnicos brasileiros e americanos acreditam que até agosto iniciaremos as exportações – afirmou ela, que se disse confiante também com a abertura do mercado japonês neste ano para carne processada, da carne Cobe e para a manga.

A ministra também ressaltou a atuação do Ministério na reabertura do mercado chinês, oficializada no mês passado, durante visita do primeiro-ministro daquele país ao Brasil. Segundo ela, uma missão chinesa é esperada ainda este mês para a liberação de mais nove plantas bovinas e nove de suínos e aves ainda em junho.

Kátia Abreu afirmou também que a visita de técnicos da Arábia Saudita ao país para avaliar a retomada das compras de carne bovina e ampliar as importações de carnes de aves e suínos foi um sinal positivo.

Logística

Kátia Abreu falou ainda sobre a polêmica ferrovia bioceânica, projeto em parceria com chineses, cujo custo é estimado em mais de R$ 40 bilhões e que prevê a construção de uma linha de ferro que vai ligar o centro de produção de grãos do Brasil ao Pacífico, saindo de Lucas do Rio Verde (MT) até o Acre.

A ministra, que participou da reunião com representantes do governo da China, disse que os asiáticos insistiram na formalização do acordo, mesmo depois de o Brasil alertar sobre todas as dificuldades da construção da ferrovia, desde os custos para construção e, posteriormente, do transporte, até as limitações geográficas. A maior delas é driblar a Cordilheira dos Andes.

– Fomos muito francos e eles encararam com naturalidade. Disseram que construíram uma ferrovia 80% mais complexa na Sibéria; estão empenhados em fazer o trabalho de articulação com países vizinhos ao Brasil (a ferrovia terá de atravessar o Peru ou Chile) e querem até junho do ano que vem ter estudo de viabilidade e um projeto básico – afirmou Kátia.

Fontes: Estadão Conteúdo e Revista Globo Rural

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