Cerca de 1,3 bilhão toneladas de alimentos são perdidas por ano num prejuízo em torno de U$$ 750 bilhões em todo o mundo, segundo dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Para tentar minimizar um pouco essas perdas, a economista Luciana Quintão resolveu criar, em 1998, o Banco de Alimentos.

A organização não-governamental (ONG) tenta criar, com isso, uma ponte entre onde sobra e onde há carências. “A ideia central do projeto é buscar onde tem sobra e fazer a doação para onde faltam alimentos”, explica a coordenadora de nutrição do projeto, Camila Kneip.

A proposta central da iniciativa paulistana é permitir que um número maior de pessoas tenha acesso a alimentos básicos e de qualidade. Os alimentos distribuídos são excedentes de comercializações, que estão perfeitos para o consumo, sendo que a distribuição possibilita a complementação alimentar diária de indivíduos assistidos pelas 42 instituições cadastradas no projeto, que assistem a mais de 21 mil pessoas.

De acordo com dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), no Brasil, cerca de 26,3 milhões de toneladas de alimentos são jogados no lixo anualmente. “O desperdício acontece em todas as etapas de produção. Quando a discussão é pautada por classes sociais, todos os indivíduos realizam perdas”, diz.

Segundo Camila, os alimentos doados podem ser in natura ou industrializados. “O alimento pronto não pode ser doado para a entidade, por conta de normas da Anvisa. Podemos aceitar a doação de estoques próximo da data de vencimento.”

A entidade trabalha em três vertentes. A primeira visa minimizar os efeitos da fome e combater o desperdício de alimentos por meio da colheita urbana. A segunda se concentra em ações educacionais e profissionais voltadas às comunidades atendidas, em convênio com faculdades de nutrição. Já a terceira leva ações e conhecimento à sociedade como um todo, com intuito de promover uma mudança social ao incentivar o fim da cultura do desperdício e o exercício pleno da cidadania consciente.

“Um trabalho que teve suas dificuldades no início, mas com o tempo contamos com o marketing do boca a boca”, relembra a coordenadora. Ela confirma que hoje, cerca de 50 empresas já compõem a “rede de solidariedade” em torno da entidade, como Habib’s, Wickbold, Nestlé, Tok Take Alimentação, entre outras companhias.

“Nossa expectativa é que o projeto se torne cada vez mais autossustentável e que nossa missão de combater a fome seja cumprida”, conclui.

Fonte: Canal do Produtor