Apesar do discurso otimista para médio e longo prazos, as fabricantes de máquinas agrícolas buscam estratégias para atravessar mais um ano de dificuldade na comercialização. Isso porque, na prática, a falta de clareza sobre a situação econômica que será traçada para o setor deixou o produtor rural mais cauteloso e, diante de perdas que podem chegar a 40%, a melhor das hipóteses é repetir os resultados de 2014.

Dados do Índice de Confiança do Agronegócio (ICAgro), medido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), apontam retração de 17,2 pontos na credibilidade do segmento, do ponto de vista dos agricultores e pecuaristas. O clima de incerteza tornou-se pano de fundo para o desempenho do ano – de acordo com o levantamento, apenas 13% pretendem investir na lavoura e isso já se reflete no maquinário adquirido.

Durante a 22ª edição da Feira Internacional de Tecnologia em Ação (Agrishow), em Ribeirão Preto (SP), o consenso entre as empresas é de um mercado entre 10% e 15% menor em relação a 2014. Porém, o vice-presidente para a América Latina da New Holland, Alessandro Maritano, estima recuo de 15% a 20% para tratores e de 35% a 40% para colheitadeiras.

Projeções

“É difícil analisar 2015 como um todo. A expectativa é que o mercado do segundo trimestre seja melhor que o primeiro, que foi muito negativo em números. A incerteza quase total fica no segundo semestre”, explica Alessandro Maritano. Após o aumento de três pontos percentuais nos juros do Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota), sabe-se que as tarifas do Plano Agrícola e Pecuário (PAP) para custeio da safra 2015/2016 também terá tarifas elevadas. Em contrapartida, a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, garantiu que o Plano Safra está fora dos cortes do governo.

O diretor comercial da Massey Ferguson, Carlito Eckert, projeta quedas entre 15% e 20% para o mercado em geral de tratores e 30% para as Colheitadeiras.

Na Valtra, em 2014, foram comercializados 55.623 tratores e 6.330 colheitadeiras. Segundo o diretor comercial da empresa, Paulo Beraldi, este ano deve haver queda entre 16% e 20% em tratores e 25% nas colheitadeiras.

Já o presidente da norte-americana John Deere no Brasil e vice-presidente de marketing e vendas da companhia para a América Latina, Paulo Herrmann, aposta na manutenção dos números obtidos em 2014. “Se há alguma empresa que não tem a ambição de crescer, demita o diretor dela”, comenta. “Estamos em um momento ruim, mas já houve piores”, acrescenta o executivo da Valtra.

Ajuste de pessoal

Como reflexo da situação, não foi possível evitar demissões em algumas unidades fabris. Na AGCO – proprietária das marcas Massey e Valtra – foram desligados 154 funcionários no município de Santa Rosa (RS) e houve acordo para flexibilização de jornadas com os sindicatos da região. Segundo o vice-presidente sênior das Américas do Norte e do Sul, Robert Crain, a companhia agora está alinhada com a força de trabalho.

“Fizemos ajustes no ano passado, quando os concorrentes não fizeram. Nosso método de mensuração é diferente porque damos baixa nas máquinas pelo varejo e não com base no envio para as concessionárias, ou seja, só consideramos a baixa quando o maquinário passa para o cliente e conseguimos identificar uma diminuição nas compras em 2014. A medição de varejo atual não vê parada no mercado”, explica o presidente da John Deere. Os desligamentos aconteceram na unidade gaúcha de Horizontina e atingiu cerca de 150 trabalhadores.

Apesar das adversidades, “estou muito confiante que o mercado volte a se recuperar mais rápido do que se imagina”, enfatiza Crain.

Fonte: Portal do Agronegócio