A produtividade recorde das lavouras de soja nacional e, principalmente, gaúcha, foi tema do evento que reuniu autoridades, especialistas em mercado, analistas técnicos, empresas de tecnologia e produtores rurais na manhã da última sexta-feira, em Não-Me-Toque, região Norte do Rio Grande do Sul. O Encerramento Nacional da Safra de Soja 2014/2015 aconteceu no auditório do centro administrativo da Sementes Roos – uma das maiores empresas de sementes do País – e trouxe para o debate os fatores que contribuíram para os números positivos desta safra, assim como as dificuldades e os cuidados que o produtor deve ter daqui para frente.

Para o secretário de Agricultura e Pecuária do Rio Grande do Sul, Ernani Polo, “o clima, o emprego de novas tecnologias e o empreendedorismo do agricultor foram essenciais para atingirmos a produtividade recorde.” Segundo estimativas da Conab, o Brasil deve colher 95 milhões de toneladas de soja – crescimento de 10% em relação ao ano passado -, e a produção das lavouras gaúchas deve passar de 15 milhões de toneladas.

Apesar do bom momento para a agricultura, Polo chama atenção dos produtores para os cuidados com a próxima safra:

– Nesses anos bons é que nós temos que nos preocupar porque, realmente, nosso histórico mostra que enfrentamos muitos problemas, principalmente com a falta de chuva. Então é importante estimularmos a irrigação e o governo tem programas que podem ajudar o agricultor nesse sentido. Claro, destravando alguns gargalos do ponto de vista ambiental, da falta de energia elétrica. O manejo correto do solo também traz um diferencial muito grande na produtividade – ressalta.

A elevação das taxas de impostos, dos juros e até mesmo da energia elétrica – o que deve onerar em 10% os custos na produção – também deve ser levado em conta no planejamento da safra 2015/2016.

– Nós não temos dúvida de que a hora de calcular a rentabilidade da próxima safra é agora, e não no momento da comercialização, ano que vem. Temos que ter em mente que com as incertezas que temos de um lado e com a elevação dos custos que temos de outro, é necessário mitigar riscos – enfatiza Antonio da Luz, economista-chefe da Federação da Agricultura do Estado do RS (Farsul).

O engenheiro agrônomo Dirceu Gassen, que também esteve presente durante o evento em Não-Me-Toque, acredita que só é possível obter resultados positivos na lavoura porque “a agricultura está evoluindo não por detalhes, mas pela soma dos processos”.

– Nós temos potencial genético capaz de aumentar em 5% a expectativa de uma propriedade. Nós temos agricultura de precisão. Temos qualidade na fertilidade do solo, macronutrientes, micronutrientes. Mas também temos novas doenças, novas pragas que aumentaram complexidade. Então tudo isso exige, hoje, muito mais conhecimento do que no passado, e uma boa safra só é possível se trabalharmos com todas essas ferramentas a nosso favor – explica Gassen.

Expansão agrícola

E se os produtores estão satisfeitos com o resultado nas lavouras, outro setor que não tem do que reclamar é o de mercado de imóveis rurais. A procura por áreas com potencial produtivo – seja ele para grãos, pecuária ou reflorestamento – vem crescendo consideravelmente na última década. Nilo Ourique, empresário do ramo imobiliário e especialista em comercialização de terras, fala sobre esse momento de expansão:

– O foco do investidor, agora, deve ser as novas áreas que estão se abrindo, em várias regiões do Brasil. No Rio Grande do Sul, por exemplo, principalmente nas regiões Centro e Sul, a estimativa é de que sejam abertos 1,5 milhões de hectares – são propriedades que hoje não produzem, mas que futuramente farão parte deste mercado agrícola, incentivando o crescimento da economia regional.