A infestação do bicudo-do-algodoeiro no algodão está em todas as regiões produtoras do país e o prejuízo anual para os produtores pode chegar a US$ 200 milhões. O Plano Nacional de Defesa Agropecuária, lançado semana passada, trouxe ações de combate à praga. Na sexta-feira, um encontro deu início ao projeto que vai ser feito numa parceria público-privada.

O bicudo-do-algodoeiro é uma praga que foi introduzida no Brasil na década de 1980. Nos últimos 15 anos, os produtores vêm tentando combater com ações e programas regionais. O prejuízo hoje está entre US$ 70 e US$ 200 por hectare ao ano. Este valor depende muito do trabalho de cada produtor. Quem segue as recomendações consegue manter o bicudo sob controle.

– Temos um pacote de medidas, estamos buscando inclusive alguns recursos biotecnológicos e biológicos para manter o bicudo sob controle. Se nós temos um país nas dimensões dos Estados Unidos, embora com clima diferente do nosso, que conseguiu fazer a erradicação, nós temos que ter um programa que, pelo menos, chegue perto disso e consiga fazer uma supressão significativa da praga – diz o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), João Carlos Jacobsen Rodrigues.

Até agora, o combate sem articulação nacional deu resultados diferentes em cada região. No encontro de sexta-feira, representantes de nove associações estaduais dividiram as experiências para revelar o que deu certo e o que deu errado na tentativa de controlar a praga. Os técnicos apontam para a falta de consciência de parte dos produtores e comparam a disseminação do bicudo com a dengue enfrentada nas cidades.

– Um paralelo bom que nós temos é o caso da dengue. Se não combater o mosquito, não combate a dengue. A paralisia infantil é outro paralelo interessante: se não vacinar o jovem, a criança, não acaba com a paralisia infantil. O bicudo é a mesma coisa – diz Paulo Eduardo Degrande.

Em Mato Grosso, por exemplo, a presença do bicudo do algodoeiro está intensa. O clima chuvoso e o manejo incorreto contribuem para a propagação do inseto. Os municípios mais afetados são Campo Verde, Primavera do Leste, Rondonópolis e Jaciara, onde há maior concentração das lavouras de algodão no estado.

O presidente da Abrapa atenta que está claro e explícito que não é difícil de conviver com o bicudo, o difícil é conviver com os maus produtores.

O combate ao bicudo, que está em destaque no Plano Nacional de Defesa Agropecuária, é na realidade a reativação de um projeto criado em 2008, através de uma instrução normativa pelo governo federal, mas que não teve adesão pela iniciativa privada. Agora, a estratégia é unificar as ações entre as principais regiões produtoras do país.

– A nova visão da defesa agropecuária hoje, é uma parceria público-privada para estabelecer este processo em dois motes, tentando absorver todas as informações do produtor rural, com a sua responsabilidade de controle de pragas de importância nacional e, principalmente, identificando qual a ferramenta que o governo pode aplicar nesse cenário. Entendemos que o governo pode aplicar a fiscalização, a inspeção dos campos tanto em nível federal como estadual, utilizando a Suasa. Mas, hoje, o maior desafio do governo é modernizar a legislação para poder, de fato, fazer o que os produtores esperam que ele possa fazer – afirma o diretor do Departamento de Sanidade Vegetal do Ministério da Agricultura, Luís Eduardo Rangel.

As entidades ligadas ao algodão esperam que esta parceria com o governo traga uma fiscalização mais eficiente no campo, para evitar riscos pontuais que só contribuem para aumentar a infestação da praga.

– Existe coordenação, existem projetos em vários lugares, em todos os estados, mas alguma coisa não está sendo eficiente, ou o projeto não está sendo comunicado da maneira adequada ou o produtor não está percebendo a importância das ações que são recomendadas. Depois, fica se procurando razões para a explosão da praga e a razão nada mais é do que a não adoção das medidas preconizadas – reforça Haroldo Cunha, presidente do Instituto Brasileiro do Algodão (Ilba).

Fonte: Canal Rural