O Rio Grande do Norte lidera um estudo pioneiro, capaz de ampliar em pelo menos 50% o índice de produtividade dos criadores de tilápia em tanques escavados. Uma experiência piloto estruturada no assentamento Coelho, situado no município de Touros (distante 85 quilômetros de Natal), vai testar o desenvolvimento dos alevinos da espécie em dois sistemas de cultivo, que englobam três fases. O intuito é identificar o mais compatível para ser adotado por piscicultores de várias regiões, sobretudo o Oeste Potiguar e o Mato Grande, que concentram a maior parte da produção desse pescado.

A ação faz parte do AquiNordeste, um projeto estruturante desenvolvido pelo Sebrae que tem traçado um panorama da aquicultura em todos os estados da região e apresentado tecnologias e inovações para a aumentar a produtividade de espécies aquáticas.

No dia 28 de abril, cerca de 38 mil alevinos foram transferidos para os tanques instalados no assentamento. A partir de agora, os exemplares serão monitorados em três etapas da criação. Inicialmente, a biomassa será acompanhada nos tanques berçários. Após esse período vão para tanques intermediários ou intensivos até chegar ao fim do ciclo nos tanques de engorda, onde deverão atingir 700 gramas, peso ideal para comercialização. Daí, os sistemas serão denominados trifásicos. Cada etapa dura em torno de 60 dias. Por isso, os primeiros resultados do ponto de vista zootécnico dos dois sistemas de manejo só deverão ser obtidos em seis meses.

O povoamento dos tanques contou com a presença de representantes das instituições parceiras do projeto, como o Sebrae no Rio Grande do Norte, Federação da Agricultura e Pecuária do Rio Grande do Norte (Faern) e Prefeitura de Touros. “A piscicultura representa uma oportunidade de melhorar a renda dos produtores. Com esses estudos, o Sebrae quer mostrar viabilidade dessa atividade e incentivar os criadores a apostar no potencial gerador de renda”, defendeu o presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae no Rio Grande do Norte, José Álvares Vieira, que também é presidente do Sistema Faern/Senar.

De acordo com José Vieira, o Rio Grande do Norte não tem tradição na cultura que domina a aquicultura. Por isso, é necessário apresentar estudos técnicos que ajudem a capacitar os empreendedores. O prefeito de Touros, Ney Rocha Leite, também compareceu ao local onde estão os quatro tanques alvos do estudo e recebeu explicação do funcionamento do projeto.

A iniciativa deve impulsionar o crescimento de produtos da aquicultura do município, cuja produção chega a cerca de 25 toneladas de tilápia por ano. Uma produção insignificante frente à pesca. Pelos cálculos da secretaria de Agricultura da cidade, a captura de pescados marinhos chega a 1,5 milhão de toneladas por ano.

Expectativa 

Os testes vão avaliar o crescimento das tilápias em densidades distintas: 1,5 peixe por metro quadrado e dois peixes por metro quadrado. Além disso, os técnicos que acompanham o projeto vão observar parâmetros, como as taxas de conversão alimentar e de crescimento dos alevinos da espécie Oreochromis niloticus, já que a ideia central das análises é aumentar a produtividade para quem aposta nesse tipo de cultivo, tendo uma baixa taxa de mortalidade — em torno de 15%. A expectativa é, ao fim do ciclo, alcançar uma produção de aproximadamente 20 toneladas de tilápia. Os resultados serão repassados para equipes da Bahia que se encarregarão de repassar a produtores de outros estados interessados nesse tipo de cultivo.

Para o consultor Edgar Gomes, a vantagem de se trabalhar com o sistema trifásico é a possibilidade de ter peixes prontos para venda praticamente o ano todo. Segundo ele, é possível promover um crescimento de 50% no quantitativo de peixes ao se adotar esses sistemas.

Assentamento 

Os estudos começaram no início do ano passado e o assentamento foi escolhido por reunir as condições necessárias para criação da tilápia. São levados em conta critérios como qualidade e disponibilidade da água, infraestrutura da região, estrutura montado e condições climáticas, já que essa espécie se desenvolve melhor em temperaturas entre 27 e 32 graus.

De acordo com o presidente da Associação de Desenvolvimento Agrário e Sustentável do Assentamento Coelho, Osias Ramos, a experiência piloto deve estimular as famílias residentes no local, que sobrevivem da agricultura familiar com a comercialização de gêneros agrícolas, sobretudo batata doce, e a tilápia. “É um projeto interessante por promover melhorias e subsidiar insumos, rações e aquisição dos alevinos”.

Foram investidos cerca R$ 130 mil para executar o estudo. Para isso, os tanques tiveram de ser adaptados e devem contribuir para aumentar em 80% a produção anual de peixes no lugar, assim como o lucro das famílias ligadas à associação. Na última safra, em novembro de 2014, a comercialização da espécie proporcionou um lucro de R$ 17 mil para as 24 famílias do assentamento.

Na avaliação do gestor estadual do AquiNordeste, Marcelo Medeiros, esse estudo permitirá ampliar a renda dos produtores, mas a principal contribuição será um material completo sobre o manejo correto desse que é um dos principais produtos aquáticos cultivados em praticamente todos os estados do Nordeste. “Essas informações poderão subsidiar publicações, como cartilhas, que ensinam os criadores as melhores práticas para ter uma alta produtividade”, analisa Medeiros.

Fonte: Agência Sebrae de Notícias

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