O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) projeta apresentar em junho deste ano uma versão prévia do Plano Nacional de Desenvolvimento de Florestas Plantadas (Pndf), que vai traçar os objetivos e metas para o setor no país pelos próximos dez anos. O anúncio foi feito nesta terça-feira, dia 14, pelo coordenador-geral de Pecuária e Culturas Permanentes do Departamento de Comercialização e Abastecimento Agrícola e Pecuário da pasta, João Antônio Fagundes Salomão, em palestra no congresso MS Florestal, em Campo Grande.

Segundo Salomão, que coordena o grupo de trabalho na Câmara Setorial de Florestas Plantadas – que foi criado justamente para construir as bases do Pndf – um primeiro rascunho do texto, que ele chamou de “versão zero”, já foi apresentado. Essa primeira versão será discutida e criticada internamente, e depois com entidades e instituições do setor para que seja construído nos próximos dois meses o texto que será colocado em consulta pública. A versão prévia poderá receber novas sugestões neste período, para que se finalize o texto final do plano nacional, que deverá ser apresentado até o fim deste ano.

O plano, de acordo com ele, terá foco na demanda potencial e traçará estratégias por subsetores, como os de papel e celulose e o de MDF, por exemplo. Também estará voltado para a formação de novos maciços florestais em áreas convertidas no passado ao uso alternativo do solo e que são atualmente subutilizadas, como pastagens degradadas. Outro objetivo do plano é trabalhar para a validação dos esforços de desenvolvimento realizados nos principais estados produtores.

Em relação à demanda, Salomão antecipa que cenários projetados por consultorias entre 2014 e 2019 indicam que haverá um crescimento do consumo dos produtos do setor de florestas plantadas em índices superiores aos da produção. No caso do papel, a estimativa é que a demanda global cresça 1,7% ao ano, impulsionada pelos países emergentes, enquanto que o crescimento da oferta é projetado em 1,6% anualmente. Já em relação a celulose, o consumo asiático deve ampliar a necessidade pelo produto em 2,4% ao ano, enquanto que a produção deve crescer 2,2% anualmente.

A elaboração do plano, conforme o coordenador, é uma das principais ações que vem sendo desenvolvidas pelo Ministério da Agricultura desde que a pasta recebeu oficialmente, no fim do ano passado, as atribuições pelo setor, que antes era vinculado ao Ministério do Meio Ambiente. “Recebemos um setor que tem uma receita bruta anual de R$ 60 bilhões, que exporta US$ 8,5 bilhões – o equivalente a 3,8% das exportações do país -, e que gera 4,4 milhões de empregos. É um setor gigante, mas que tem potencial para crescer ainda mais”, destacou.

E com este grande potencial de crescimento, Salomão citou o tamanho do segmento em Mato Grosso do Sul e sua importância para o país. “No ano passado, o estado teve 731 mil hectares cultivados com florestas plantadas, 9,6% dos 7,6 milhões de hectares no Brasil. Produziu 2,8 milhões de toneladas de celulose, cerca de 17,4% de toda a produção nacional que foi de 16,4 milhões de toneladas e foi responsável por 14,8% de toda a receita com as exportações de papel e celulose pelo país, que atingiram os US$ 7,3 bilhões”, apontou.

Além da apresentação da prévia do Pndf, o coordenador disse que nos próximos meses o Mapa deve desenvolver uma série de ações voltadas para o setor de florestas plantadas, como a inclusão do segmento no Plano Agrícola e Pecuária para a safra 2015/2016 e no Plano Plurianual (PPA).

Fonte: Agrodebate