Um dos grandes feitos promovidos pelo cavalo Crioulo completou essa semana, dia 23, 90 anos. Em 1925, o suíço Aimé Félix Tschiffely iniciou uma peregrinação com dois animais da raça. Os cavalos Gato, com 16 anos, e Mancha, com 15 anos, de propriedade da Estância El Cardal, do criador Emilio Solanet, partiram de Buenos Aires e atravessaram 21,5 mil quilômetros até chegar em Nova Iorque no dia 22 de setembro de 1928, com direito a desfile na famosa Quinta Avenida, que parou para reverenciar o feito.

O objetivo de Tschiffely era realizar a travessia das Três Américas no lombo dos dois animais. Foram 504 etapas com percursos médios de 42,6 quilômetros por dia. No caminho, enfrentaram a altitude de 5,9 mil metros do Passo de El Condor, na Bolívia, depois de ter enfrentado as nevascas da Cordilheira dos Andes. No caminho das 23 nações que atravessaram, alguns obstáculos como o Deserto Mata-Cavalo, no Peru, e selvas da América Central não foram páreos para a resistência dos animais, que cresceram na Patagônia e estavam acostumados às adversidades do clima.

Para o coordenador da Subcomissão de Resistência da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC), Alexandre Selistre, a jornada foi uma propaganda para o mundo da resistência e rusticidade do cavalo Crioulo. Além disso, o feito do trio serviu de inspiração para a criação das marchas de resistência, que depois foram adaptadas para reproduzir em uma prova o trabalho das tropilhas das estâncias antigas. “Era uma aventura, ele não sabia se estes cavalos iriam voltar desta jornada. Por acreditar nisto é que o Solanet cedeu os animais e a façanha foi realizada e é lembrada por qualquer um que goste de andar a cavalo”, afirma.

A jornada de Gato, Mancha e Tschiffely foi eternizada no Museu Enrique Udaondo, na cidade de Luján, província de Buenos Aires. Os dois animais foram embalsamados após suas mortes, nos anos 40, e estão expostos no local. O desbravador suíço, falecido em 1954, teve suas cinzas sepultadas em Ayacucho, onde fica a Estância El Cardal. A Associação de Criadores de Cavalos Crioulos da Argentina está promovendo uma série de eventos para recordar a data com palestras e mostra fotográfica.

Enquanto os argentinos lembram a data com um evento, no Brasil os adeptos das provas de resistência se preparam para a grande final da Marcha de Integração, que será realizada de 16 a 30 de maio no município de Jaguarão (RS), reconhecido por ser um dos polos mais importantes da modalidade. Os 48 animais inscritos já estão concentrados e seus criadores esperam que eles entrem na história do cavalo Crioulo no Brasil. Selistre avalia que boa parte dos competidores estão em condições para chegar ao final e serem campeões. “Dos animais que estão concentrados, 12 animais já ganharam algum prêmio em provas de resistência. São animais que já tem um histórico. E dos inéditos muitos são filhos de animais já premiados na Marcha”, analisa.

Durante 15 dias, os animais irão percorrer trechos de 50 quilômetros diários, totalizando 750 quilômetros. A prova, criada em 1971 pela ABCCC, junto com o Freio de Ouro e a Morfologia formam o tripé seletivo da Raça Crioula no Brasil.

Fonte: ABCCC